Poluição do ar reduz a fertilidade masculina, afirma pesquisa da USP

Poluição do ar reduz a fertilidade masculina, afirma pesquisa da USP
Poluição do ar reduz a fertilidade masculina, aponta pesquisa da USP (Foto: Pixabay/ScienceFreak/Creative Commons)

Na pesquisa, cientistas avalariam como o PM – material particulado (partículas extremamente finas de substâncias líquidas ou sólidas) – e o PM 2.5 (partícula fina que desestabiliza o sistema endócrino de humanos e animais) do ar da capital paulista influenciavam no desenvolvimento de espermatozoides. 

Câmara de ar poluído onde os roedores ficaram para o estudo da USP (Foto: Elaine Frande)

CÂMARA DE AR POLUÍDO ONDE OS ROEDORES FICARAM PARA O ESTUDO DA USP (FOTO: ELAINE FRANDE)


Para a análise, os pesquisadores dividiram roedores em quatro grupos. Eles foram expostos a diferentes graus de poluição: o primeiro respirou PM 2.5 antes e depois do nascimento, do dia do desmame de leite materno até a idade adulta. O segundo grupo recebeu a exposição somente durante a gestação, ou seja, quando os ratos estavam nos úteros. A terceira parte dos animais ficou exposta apenas depois do nascimento. Já o quarto não teve contato com a poluição, respirando ar filtrado do desmame até a idade adulta. 

Para chegar a conclusão, os cientistas fizeram testes de DNA para analisar a expressão gênica – processamento da informação genética hereditária. Segundo a avaliação, o PM 2.5 provocou mudanças nos níveis dos genes relacionados à função testicular. O contato com a poluição após o nascimento dos roedores foi o pior tipo de exposição para a funcionalidade dos testículos.

No entanto, o estudo afirma que as alterações são epigenéticas. Isso significa que elas não ocorrem na sequência do DNA, e sim que podem “ativar ou desativar genes, determinando quais proteínas o DNA irá expressar”. 

Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que 15% da popolução global enfrenta problemas de fertilidade, sendo que os homens são responsáveis por metade desse índice. Frade acredita que a poluição do ar é um dos principais fatores. “O espermatozoide têm células mais vulneráveis que o óvulo”, diz ela, explicando porque a análise foi focada somente nos homens, e não avaliou como a poluição altera a fertilidade feminina.

Para a pesquisadora, as descobertas mostram que os governos devem elaborar políticas públicas para controlar a poluição nos centros urbanos. “Fica o alerta para as autoridades do meio ambiente, pois precisamos criar leis mais rígidas aos veículos que poluem as cidades.

FONTE:
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2019/05/poluicao-do-ar-reduz-fertilidade-masculina-afirma-pesquisa-da-usp.html

Eduarda Santana Soares

Bolsista PET AgroFlorestal CPCS e Discente de Agronomia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

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