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Mesmo após a morte as árvores desempenham papéis importantes para a vida na floresta

Mesmo após a morte as árvores desempenham papéis importantes para a vida na floresta

Ao olhar para uma árvore sem vida, muitos podem imaginar um ciclo terminando aqui. mas não! Ramos secos e sem vida são essenciais para garantir a manutenção de outros ciclos naturais. Na coluna Nature Stories de hoje, o biólogo Luciano Lina traz à tona esse tema e explica como o fim de uma espécie pode representar o início de outra.

Mesmo figurativamente, a palavra morte muitas vezes carrega conotações negativas. Mas, como tudo na natureza, sempre haverá exceções. Uma árvore morta é, na verdade, sinônimo de muitas vidas e utilidades.

Imagem retirada de um artigo de 1972 da grande ornitóloga Maria Kopke. A legenda diz: “Figura 193. Árvore morta (cerca de 25 m de altura), perfurada por pica-paus, Peru; 6 casais de pássaros (5 espécies diferentes) nidificam ali ao mesmo tempo, incluindo dois pica-paus. 

De acordo com um estudo publicado em 2017, pelo menos 1878 espécies de aves (cerca de 18% de todas as aves do mundo) fazem seus ninhos em ocos de árvores. Desse total, apenas 481 espécies são capazes de escavar a madeira e construir sua própria “casa” ou reformar alguma outra cavidade já existente. A grande maioria das aves que fazem seus ninhos em ocos de árvores (1357 espécies) não são capazes de escavar suas próprias cavidades. Assim, elas dependem da reutilização de ninhos escavados por outras espécies ou de cavidades naturais, geralmente encontradas apenas em árvores grandes e em florestas bem preservadas.

 

Como seu próprio nome popular indica, os pica-paus são os animais mais habilidosos quando o assunto é trabalhar a madeira. Os membros da família formada por essas aves (Picidae) compartilham uma série de adaptações para escavar a madeira, incluindo até mesmo um capacete interno antichoque. Não por acaso, são geralmente descritos como “carpinteiros da floresta”. Cientificamente, no entanto, eles são classificados em outra profissão, são “engenheiros”.

Animais capazes de modificar o ambiente ao seu redor são chamados de “engenheiros de ecossistemas”. Ao modificar o ambiente em que vivem, espécies engenheiras de ecossistemas podem impactar negativamente ou positivamente outras espécies ao seu redor. No caso dos pica-paus, eles beneficiam milhares de outras espécies de aves, mamíferos, répteis, insetos, etc, atuando como executores de um verdadeiro programa de moradia em larga escala, algo como “meu oco, minha vida”.

Em um outro estudo científico publicado em 2012 e realizado na Mata Atlântica Argentina (isso mesmo, você não leu errado, na Argentina e no Paraguai também têm Mata Atlântica), pesquisadores demonstraram que a disponibilidade de cavidades para reprodução de aves que fazem seus ninhos em ocos – mas não são capazes de escavar – depende de uma intricada rede que envolve além de pica-paus, fungos decompositores de madeira que acabam facilitando o trabalho das aves escavadoras.

Além de “quarto”, árvores mortas também são “cozinha” para muitas espécies de aves. A habilidade dos pica-paus em escavar a madeira não está relacionada apenas com a construção de ninhos. É na madeira também que eles conseguem alimento (insetos, especialmente larvas e ovos). Mas, mesmo para muitas aves cujo alimento não está “aprisionado” na madeira, grandes árvores mortas podem ser importantíssimas. Predadores tão distintos quanto os suiriris, urutaus e gaviões utilizam árvores mortas como poleiros estratégicos para espreitar a próxima vítima.

Deixando um pouco de lado o tradicional viés ornitológico da coluna que você está lendo, não são apenas as aves que precisam de árvores mortas para viver. Centenas de mamíferos, répteis, anfíbios, e um incontável número de insetos também dependem de madeira morta para se abrigar, reproduzir, alimentar ou todas essas coisas juntas. Fora do mundo animal, os fungos e muitas plantas vivas também são beneficiadas por árvores mortas. Tem algo mais ilustrativo do poder de resiliência da natureza que uma orquídea ou bromélia desabrochando em flor sobre um tronco morto?

Se você tem uma árvore morta no quintal ou sítio e caso sua queda não coloque nada em risco, deixe ela lá e admire a morte encenando o espetáculo da vida. Precisamos aprender a abraçar não apenas árvores vivas, mas também mortas, pois sem elas boa parte da natureza morreria. É surpreendente, mas isso não tem nada de sobrenatural, é simplesmente natural.

 

Gabriel Devolio

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