Geada ameaça milho

Geada ameaça milho

Uma massa de ar polar segue ganhando intensidade no país e deve provocar nesta semana geadas fortes em áreas agrícolas, com riscos elevados para o milho do Paraná, segundo maior produtor brasileiro do cereal, cuja safra já sofreu severas perdas pela seca, de acordo com especialistas.

Além do Paraná, geadas estão previstas para áreas mais ao sul de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo, onde estão situadas algumas lavouras de cana, segundo boletim da Rural Clima.

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O Simepar, órgão de monitoramento do Paraná, apontou geadas fortes para amanhã (29) em uma grande faixa central do Estado, desde o oeste. Geadas moderadas e fracas estão previstas em praticamente todo o Estado também amanhã (29).

Depois de amanhã (30), o frio se intensifica, e a maior parte do norte e oeste do Paraná deverá ter geada forte, enquanto o restante do Estado terá o fenômeno com intensidade moderada, segundo o Simepar.

“A intensa massa de ar frio e seco se estabelece sobre a região Sul do Brasil e aumenta o frio em todas as regiões paranaenses. Com exceção das praias, há previsão da formação de geadas para todas as demais áreas do Paraná…”, disse o Simepar em boletim divulgado hoje (28).

O Simepar projeta para quarta-feira (30) temperaturas negativas no sul, centro, Campos Gerais, sudoeste, sul da região metropolitana de Curitiba e inclusive em municípios da região norte, onde o frio costuma ser mais ameno que em outras áreas.

“A massa de ar polar de fortíssima intensidade provoca geadas severas em grande parte das áreas produtoras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Paraguai e Mato Grosso do sul e sul de São Paulo”, disse o agrometeorologista da Rural Clima Marco Antônio dos Santos.

Mais ao sul, como é o caso do Rio Grande do Sul, o milho está praticamente colhido, o que reduz riscos de perdas expressivas. No caso do café do Paraná, eventuais geadas teriam efeito no próximo ano, já que a colheita deste ano está em andamento.

Santos confirmou previsões de geadas para amanhã (29), observando que a massa polar ganha intensidade na quarta-feira (30), confirmando expectativas da semana passada. “Com isso a situação está complicadíssima para o milho safrinha do oeste e sul do Paraná, para Mato Grosso do Sul, Paraguai, e podendo atingir algumas áreas de cana e café do norte do Paraná e sul de São Paulo”, comentou.

A segunda safra de milho do Paraná está estimada em 9,8 milhões de toneladas pelo Departamento de Economia Rural (Deral), que vê uma safra, até o momento, com uma queda de cerca de 5 milhões de toneladas ante o potencial inicial, devido ao impacto da seca.

A safra, plantada com atraso, acabou ficando mais exposta aos efeitos do frio este ano.

“O fato concreto é: se ocorrer geadas de intensidade forte e generalizada, haverá mais perdas no milho”, comentou o especialista do Deral Edmar Gervásio, ao ser questionado. Ele disse que o Estado tem volume significativo de área no oeste e norte suscetível a perdas por geadas, “mas não é possível afirmar se haverá danos antes do evento”.

Como o trigo do Paraná está em fase inicial –a maior parte em desenvolvimento vegetativo– não se encontra suscetível a perdas pelo frio.

Por: Maria Giulia Hayashi 

Fonte: Forbes Agro 

 

 

Maria Giulia Hayashi

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