Diversificação da matriz energética

Diversificação da matriz energética

A energia é um dos principais insumos de avaliação do desenvolvimento socioeconômico de uma região. Em 2018, por exemplo, a demanda global por energia aumentou cerca de 2,3% sendo considerado um dos maiores percentuais registrados na última década. O motivo é o crescimento das atividades econômicas e o aumento no consumo de combustíveis fósseis.

Por outro lado, verificamos que o setor de energia elétrica tem se destacado no quesito fontes renováveis. Segundo o Renewables Global Status Report (2019) a energia renovável representa cerca de um terço da capacidade total instalada no mundo. Quase dois terços (64%) das instalações líquidas em 2018 eram de fontes renováveis, marcando o quarto ano consecutivo que as adições líquidas se mantiveram acima de 50%.
De fato, essa representatividade das fontes renováveis na matriz energética mundial aumentou, sobretudo, em razão das políticas públicas implementadas em todo o mundo. Dentre as opções de energia renovável, a biomassa é estrategicamente interessante, quando considerado a sua disponibilidade e neutralidade de carbono, embora sua sazonalidade, teor de umidade e densidade ainda possam ser considerados como grandes desafios.

A conversão da biomassa em energia pode ser realizada tanto por rota bioquímica, quanto termoquímica, que é a mais usual. As rotas de conversão termoquímicas convencionais são as de combustão, gaseificação e pirólise. Dentre estas, na última década, a pirólise foi a rota que mais prosperou na geração de energia a partir da biomassa. Segundo Williams et al. (2012) o potencial estimado da disponibilidade anual de biomassa poderá chegar a 4500 EJ [1EJ = 24Mtoe] (toe = toneladas equivalentes de petróleo), que é quase 10 vezes a necessidade de energia atual do mundo.
Por isso, a melhor alternativa para ser implementada nas matrizes energéticas atuais é, sem dúvidas, a diversificação das fontes de energia.  Uma vez que, os combustíveis fósseis deverão permanecer como a principal fonte de energia pelo menos, por mais algumas décadas.
Na prática, a introdução de novas fontes renováveis na matriz energética demonstra claramente o progresso econômico, político e sustentável de uma região. Isso nos leva a entender ainda que, a biomassa pode ser consideradas uma das principais fontes renováveis potenciais para a diversificação da matriz energética mundial, sobretudo em razão da sua disponibilidade.

Por outro lado, diante da atual crise econômica instaurada pelo coronavírus, tem sido recorrente os registros de queda no valor do petróleo, o que pode desencorajar os investimentos em projetos com viés renovável e incentivar o uso dos combustíveis fósseis. Essa previsão pode ser sustentada pelo fato de que a queda contínua no preço do petróleo impulsionará o seu consumo e consequentemente prejudicar a demanda por produtos renováveis, como a biomassa.

Artigo de Márcia Silva de Jesus

Fontes de pesquisa:

Williams, A., Jones, J. M., Ma, L., & Pourkashanian, M. (2012). Pollutants from the combustion of solid biomass fuels. Progress in Energy and Combustion Science, 38(2), 113-137.
Emissions are down thanks to coronavirus, but that’s bad. Disponível em: https://www.politico.com/news/2020/03/13/climate-advocates-hit-political-turbulence-127649.
Nunes, L. J. R., Causer, T. P., Ciolkosz, D. (2020). Biomass for energy: A review on supply chain management models. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 120, 109658.
Bajwa, D. S., Peterson, T., Sharma, N., Shojaeiarani, J., & Bajwa, S. G. (2018). A review of densified solid biomass for energy production. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 96, 296-305.
Ferreira, L. R. A., Otto, R. B., Silva, F. P., De Souza, S. N. M., De Souza, S. S., & Junior, O. A. (2018). Review of the energy potential of the residual biomass for the distributed generation in Brazil. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 94, 440-455.
Renewables Global Status Report, 2019. Disponível em: https://www.ren21.net/wp-content/uploads/2019/05/gsr_2019_full_report_en.pdf
Balat, M., Ayar, G. (2005). Biomass energy in the world, use of biomass and potential trends. Energy sources, 27(10), 931-940.

Fonte: Mais Floresta

Hilária Meireles

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