Como melhorar o controle do carrapato-do-boi em bovinos.

Como melhorar o controle do carrapato-do-boi em bovinos.

A introdução de bovinos na América do sul ocorreu por volta do século XIV pelos jesuítas. No início, o manejo se concentrava em regiões de Vacarias no Sul, mas com a abertura de pastagens e avanço da pecuária houve um alto crescimento e expansão na produção. Atualmente o Brasil comporta mais de 200 milhões de cabeças de gado, com produção que alcança 9 milhões de toneladas de carne bovina, sendo destaque no mundo. 32% dessa quantidade de cabeças está empregado nas regiões do cerrado, concentrando 47 milhões de bovinos.

Além dos números, a qualidade de produção e produtividade também aumentaram. Com a demanda crescente por carne, pesquisas aplicadas começaram a ser alvo da bovinocultura, e seu cenário vem mudando gradativamente. Tecnologias foram e continuam sendo inseridas no manejo das pastagens, são feitas instalações com melhor conforto e controle sanitário, há estudos voltados a formulações de ração mais especificas para cada tipo de manejo, e avanços na reprodução que geram ganho de produtividade. Contudo, um dos principais fatores para o sucesso é o melhoramento genético. O cruzamento entre raças visando a melhoria na produção de leite ou carne também é responsável por aumentar a suscetibilidade desses animais. Destinados a maior produtividade, o gado passa a ser mais vulnerável a pragas e doenças, com destaque aos ectoparasitas.

O Carrapato-do-boi Rhipicephalus (Boophilus) microplus representa um dos maiores entraves no manejo de bovinos no mundo. Ele é responsável por perdas anuais estimadas em torno de 3,24 bilhões de dólares. Esse ectoparasita atua diminuindo o apetite do gado, causando perda de peso e consequente perda na produtividade, redução da natalidade, além de ser “porta de entrada” para infecções e miíases (bicheira). Todavia, o maior problema que essa praga pode causar está associado a sua característica de ser vetor de diversas enfermidades. A Tristeza parasitaria bovina (TPB) é um complexo de doenças que podem ser transmitidas pelo carrapato-do-boi, podendo levar a morte os animais infectados. Animais cruzados com maior suscetibilidade em relação à raça Nelore apresentam o risco de contrair a TPB de 4 a 9 vezes mais.

Várias são as estratégias de controle do carrapato-do-boi, que ainda são baseadas predominantemente no uso de diversas formulações acaricidas. É imprescindível respeitar as recomendações das doses nas aplicações, a fim de evitar a formação de novos biótipos resistentes, e utilizar adequadamente os EPIs recomendados.

A aplicação de uso tópico direto sobre o dorso no animal (pour on) é bastante utilizada no manejo de gado de corte em decorrência de sua facilidade e associação com outras práticas. Entretanto, trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Gado de Corte apresentaram uma perda de 41,4% na eficiência do pour on quando comparado com a pulverização, sob as mesmas bases químicas e em condições ambientais semelhantes. Além disso, o pour on, juntamente com as aplicações injetáveis, requer a pesagem dos animais para recomendações de doses adequadas, o que acarreta maior gasto de tempo.

Geralmente as moléculas utilizadas na pulverização funcionam em contato direto com a praga, necessitando de serem aplicadas sobre toda a pelagem que apresente os carrapatos. Em detrimento de uma melhor aderência dos produtos, menor dispersão ao ambiente, facilidade e rapidez no manejo, são recomendadas câmaras atomizadoras (duchas veterinárias). Embora essas câmaras apresentem alto custo, uma unidade para 200 animais já torna rentável a instalação, além de viabilizar um controle estratégico.

O controle estratégico visa controlar as populações com eficácia tanto nos animais, quanto nas pastagens, otimizar a rentabilidade e diminuir os impactos ambientais, por isso é fundamental. Na maioria das ocasiões é aplicado entre o final do período da seca e início do período chuvoso. Os produtos geralmente apresentam em suas bulas a recomendação de uso, mas na maioria das vezes são realizados de 5 a 6 banhos no intervalo de 21 dias, que é o tempo médio do ciclo parasitário do carrapato. Além de tratar, o método previne infestações futuras.

Testes em campo realizados pela Embrapa Gado de Corte no Cerrado mostraram que a pulverização em duchas veterinárias reduziu, em média, 79,2% da carga parasitária já no segundo dia de aplicação, e alcançou 83,1% no vigésimo primeiro dia. Já em condições in vitro a eficácia alcançou os 100% de redução. Isso mostra que as condições ambientais e métodos de aplicação com as mesmas bases químicas podem aumentar ou reduzir a taxa de controle.

A finalidade dos trabalhos da Embrapa foi constatar qual o melhor controle do carrapato-do-boi em consequência de se percentual de eficácia. Diante disso, testes com aplicações pour on e pulverização foram realizados e comparados. A pulverização se saiu melhor na eficiência e rentabilidade, principalmente associada às câmaras atomizadoras em relação a quantidade de cabeças de gado.

Mesmo apresentando resultados satisfatórios, as duchas devem ser manuseadas cuidadosamente para maior durabilidade. Deve-se evitar sobras das caldas de acaricidas ao final das aplicações, a fim da redução de desperdícios e impactos ambientais. O uso da dosagem correta deve evitar ao máximo o surgimento de indivíduos resistentes. A regulagem na pressão dos jatos é importante, além de se atentar as condições climáticas no momento da aplicação, que não devem apresentar chuva ou sol forte. É interessante não agrupar raças distintas em mesmas áreas de pastagem. E o bom uso, no geral, deve ser aplicado para o sucesso nos resultados e segurança na aplicação.

Fontes: EMBRAPA e PRODAP.

Júlia Alcântara

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