Biotecnologia Intacta 2 Xtend

Biotecnologia Intacta 2 Xtend

Sabe-se que alcançar altas produtividades na lavoura é sempre uma meta. Um dos passos para isso é o bom manejo de pragas e plantas daninhas na lavoura. Se não eficiente esse controle, toda a produção pode se perder.

Ao longo dos anos, surgiram algumas tecnologias com o propósito de auxiliar no manejo. Na cultura da soja, há uma novidade no mercado: a plataforma Intacta 2 Xtend, que traz proteção contra mais lagartas e tolerância ao dicamba.

Saiba como funciona essa plataforma a seguir:

A Intacta 2 Xtend é uma nova biotecnologia, que foi desenvolvida pela Bayer para a acultura da soja. O produto tem proteção de lagartas dos gêneros Helicoverpa e Spodoptera, além de ser tolerante aos herbicidas dicamba e glofosato. Com o uso dessas moléculas de herbicida, o manejo de plantas daninhas como buva, caruru, corda-de-viola e picão preto pode ser facilitado. Além do aumento da produtividade da lavoura.

(Fonte: Fernando Adegas em Embrapa)

Essa biotecnologia é a terceira geração em soja, prometendo uma alta eficiência. A primeira geração, a RR (Roundup Ready), foi lançada em 1998 e trouxe como tecnologia a tolerância ao herbicida glifosato. Já a segunda geração, Intacta RR2 Pro, em 2013, teve como tecnologia a proteção contra algumas lagartas.

O lançamento comercial da plataforma Intacta 2 Xtend no mercado brasileiro está previsto para a safra 2021/22. Essa plataforma irá proporcionar ao produtor uma série de ferramentas de forma integrada, tendo um manejo inteligente com uma variedade de germoplasmas, variedades específicas para refúgio e novas formulações químicas para manejo de plantas daninhas. Ou seja, combina a utilização de sementes com alta tecnologia, produtos químicos eficientes e equipamentos adequados.

(Fonte: Plataforma Intacta 2 Xtend)

A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) aprovou a tecnologia no Brasil em março de 2018. Desde então, vários testes vêm sendo realizados por produtores de diversas regiões do país. O ministério da agricultura da China liberou o certificado de importação dessa tecnologia para uso de alimentos e ração, em que realizou o processo de revisão e aprovação da tecnologia. Ou seja, o Brasil vai poder produzir e vender soja com essa tecnologia para a China após seu lançamento. Essa aprovação é muito importante, porque um dos maiores consumidores de soja do mundo é o mercado chinês. Sem a aprovação desse país, a soja plantada com essa nova tecnologia teria sua comercialização prejudicada.

Proteção contra lagartas:

Essa biotecnlogia expandiu sua proteção para soja em relação às lagartas Spodoptera cosmioides. Isso se soma ás outras quatro que já estavam no escopo da tecnologia Intacta RR2 PRO. A Intacta 2 Xtend protegerá contra:

  • Helicoverpa armigera;
  • lagarta da vagem (Spodoptera cosmioides);
  • falsa-medideira (Chrysodeixis includens);
  • lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis);
  • lagarta-da-maçã (Chloridea virescens);
  • broca-das-axilas (Crocidosema aporema).

Helicoverpa armigera é uma lagarta que pode atacar muitas culturas e foi identificada pela primeira vez no país em 2013.

(Fonte: Sebastião José de Araújo em Embrapa)

Spodoptera cosmioides, que também é conhecida como lagarta da vagem, pode atacar a soja no estabelecimento da cultura e também na fase reprodutiva, danificando as vagens. Essa lagarta também é considerada polífaga, se alimentando de várias culturas e de plantas daninhas.

(Fonte: Irac)

Tolerância a alguns herbicidas

Além da resistência a lagartas e ao glifosato, a Intacta 2 Xtend tem tolerância a mais uma molécula de herbicida: o dicamba. Dicamba é um herbicida pós-emergente com alvo de controle para daninhas de folhas largas que pertence ao mecanismo de ação das auxinas sintéticas.  

Este herbicida tem baixa absorção pelas folhas de gramíneas e a translocação é limitada pelo floema. Assim, é seletivo a essas plantas. Mas seu uso era complicado em culturas como a soja. Por isso, é muito importante essa nova tecnologia que foi preparada para soja.

As plantas daninhas comprometem a produtividade da soja porque competem por espaço, água, nutrientes e luz. Além disso, ainda podem dificultar a colheita e servir de hospedeiras para algumas pragas e doenças da cultura. Há relatos que as plantas daninhas podem causar perdas de até 70% quando não controladas adequadamente. A buva, por exemplo, pode reduzir a produtividade em até 12%.

Infestação de buva em plantação de soja na região do oeste do Paraná
(Fonte: Andherson Matuczak em UFRRJ)

Fonte: Blog Aegro por Gressa Chinelato

Luiza Roriz

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