Aumentando a produtividade das culturas através de biotecnologia.

Aumentando a produtividade das culturas através de biotecnologia.

Por Décio Luiz Gazzoni, Engenheiro Agrônomo, Pesquisador da Embrapa, Membro Fundador do Comitê Científico de Sustentabilidade Agropecuária.

Vivemos mudanças climáticas dramáticas, resultado direto do padrão de desenvolvimento global insustentável das últimas décadas, principalmente devido ao uso intenso de energia fóssil (petróleo, carvão, gás natural), desmatamento e incêndios florestais. Ao mesmo tempo, a FAO observou que quase 1 bilhão de cidadãos de diferentes países enfrentam insegurança alimentar. Em nosso país, a fome atinge mais de um terço dos brasileiros.

As mudanças climáticas afetaram negativamente a agricultura, especialmente porque a seca reduz os rendimentos agrícolas. Depois, há desigualdades gritantes: para produzir mais alimentos, é necessário abrir novas áreas, muitas vezes o desmatamento. Isso exacerbará ainda mais os eventos climáticos extremos, um componente importante das mudanças climáticas e, em última análise,

 reduziriam ainda mais a produção agrícola.

Entrementes, a História demonstra que, nas crises, a Ciência sempre desponta com uma solução. Eis que surge uma esperança no horizonte: novos arranjos genéticos nas plantas cultivadas, que podem aumentar substancialmente a produção agrícola sem expandir a área cultivada.

Como regra geral, para aumentar a produtividade, é necessário melhorar conjuntamente vários componentes do sistema de produção. Eventos que fornecem incrementos significativos por si só são raros. Isso acontece, por exemplo, quando se descobrem os benefícios do vigor híbrido, ou quando se entende a importância de certos elementos químicos para a adubação, ou mesmo de agrotóxicos para o controle de pragas.

Os antecedentes

Atualmente, uma ampla oferta de polinizadores tem impulsiona